“Escrever? Escrever textos de 305 linhas pra quer? Se nem com duas palavras consigo descrever o que se passa dentro de mim, o que se passa na minha vida tão bagunçada, tão sem sentido. Mas o que eu devo fazer? Seria muito mais fácil se ao vez de ter palavras tão desnecessárias no dicionário, tivesse eu lá. Pra toda vez eu poder consultar meu real significado, minha finalidade. Mas eu sei, eu sempre estive naquele livro velho, empoeirado. Onde o autor me apresentou como algo qualquer, sem ser o exemplo, sem ser o que faz o papel principal, sem ser o herói da historia, sem ser o popular, o salvador do mundo, o que é forte. Sem me descrever, sem mostrar minhas características físicas, minhas manias, meu jeito. Sem falar das minhas paixões não correspondidas, meus rolos, meus segredos mais secretos, apenas citou meu nome em uma frase clichê de um livro que ninguém tem a intenção de ler. Como se eu não fosse algo importante, como se eu fosse uma perca de tempo. Um ocupa espaço na vida das pessoas, no mundo.”